Entrevista de Barbara Eden ao programa Larry King Live em 01/01/2002
LARRY KING, APRESENTADOR: Nossa primeira convidada do ano é Barbara Eden, a
atriz mais conhecida por, é claro, seu papel em Jeannie É Um Gênio. Este não
é um ano novo feliz para Barbara Eden.
BARBARA EDEN, ATRIZ: Não.
KING: Não é. Nós vamos ajudar muitas pessoas aqui esta noite, eu espero, ao
conversar a respeito da perda de uma pessoa querida, e Barbara perdeu seu filho
de 35 anos, Matthew, o único filho dela e de seu ex-marido, o ator Michael
Ansara. Ele foi encontrado morto em seu carro em um posto em Monrovia em 25 de
junho. Foi determinado que foi uma overdose, certo?
EDEN: Sim, foi. A princípio, eles pensaram que tinha sido apenas um ataque do
coração.
KING: Certo. Você ficou chocada pelo fato de ter sido uma overdose, ou você
pensou...
EDEN: Eu fiquei chocada porque ele estava vencendo essa luta, e ele estava limpo
e sóbrio por mais de um ano. Então, sim, eu fiquei chocada.
KING: Há quanto tempo você - voltando um pouco - sabia da situação? Eu quero
dizer, você sempre soube que ele tinha esse problema?
EDEN: Não, Larry. E eu acho que essa é uma das razões porque eu gostaria de
falar a respeito. Não é fácil, mas eu acho que tantas pessoas que amam seus
filhos, tantos pais e mães, e que acham que o que eles tem é um lar perfeito e
normal, muitas dessas pessoas não tem idéia do que o seus filhos estão
fazendo. E muito disso é porque nós não estamos nas ruas. Nós não
reconhecemos as drogas. Nós nunca as tivemos em nossas vidas. Isso está
mudando, mas é muito difícil quando você não sabe qual é o comportamento
anormal para um adolescente e que esse comportamento acontece porque eles estão
usando drogas.
KING: Como e quando isso começou?
EDEN: Bem, eu só sei porque o Matthew me contou, e eu acho que começou quando
ele tinha uns 10 anos.
KING: Ele te disse que foi assim tão novo?
EDEN: Sim. Porque havia crianças na vizinhança cujos pais estavam plantando
maconha no quintal. Eu não sabia disso. Você sabe como é, você pensa que o seu filho
está brincando com o filho do vizinho, e eles parecem crianças doces e
inocentes, e tudo está bem. Matthew não foi um garoto que não teve uma mãe
ou um pai que não o amassem ou cuidassem dele, sabe? Nós cuidávamos muito bem
dele. Mas muitas coisas estavam acontecendo que eu não sabia e não conseguia
perceber.
KING: Quantos anos ele tinha quando você e seu marido se separaram?
EDEN: Ele tinha 8 anos.
KING: Então ele tinha dois pais que o amavam, e ele tinha as visitas?
EDEN: Ah, claro. E ele foi morar com o pai quando ele tinha 13 anos e ficou com
ele até o primeiro ano da faculdade, e então ele voltou para mim.
KING: E você diz que ele usou algum tipo de droga durante todos esses anos?
EDEN: Ah, sim. Foi o que ele me contou.
KING: Mas ele estava funcionando bem, certo?
EDEN: Sim, estava. Ele tirava boas notas, era muito inteligente.
KING: Ele era seu único filho?
EDEN: Sim. Quando nós realmente descobrimos, ele estava no primeiro ano da
faculdade, e eu quero dizer aos pais que estão assistindo que aí já é muito
tarde. Uma vez que eles foram para a faculdade, é muito tarde.
KING: Por que?
EDEN: Porque é uma idade em que eles pensam que podem lidar com qualquer coisa.
Você não tem controle sobre eles uma vez que eles tem mais de 18 anos. Você
não pode colocá-los em um hospital. Você não pode dizer a eles para fazer um
tratamento, seja físico, mental ou de qualquer tipo. O tempo para tratar é
quando eles estão no colegial, ou tem 12 ou 13 anos, e se você acha que eles
já experimentaram bebida ou outra coisa, deve levá-los imediatamente a alguém
que saiba lidar com isso.
KING: Então você diz aos pais que, se tiverem alguma suspeita, devem confiar
em seu instinto
EDEN: Sim. Imediatamente.
KING: E como você descobriu que ele tinha um problema?
EDEN: Ele saía de casa de manhã, e um dia, ele esqueceu os livros em casa,
e eu saí correndo e fui até a faculdade para tentar encontrá-lo. Eu andei por
todo aquele campus procurando por ele, para saber onde ele estava, em que aula
ele estava, mas não consegui encontrá-lo, e foi aí que eu descobri. Eu sabia
que algo estava errado. Ele não estava na escola. Ele estava mentindo.
KING: Então o que você fez? Você pensou em drogas naquele momento, ou você
pensou em alguma outra coisa?
EDEN: Eu pensei em drogas. Eu não sei porque, mas eu pensei, e ele admitiu.
KING: Ele admitiu logo que você perguntou?
EDEN: Sim, ele admitiu. Eu fiquei muito brava, e ele saiu de casa. E aquilo foi
horrível, sabe? Nós não sabíamos onde ele estava. O pai dele e eu procuramos
em todos os lugares, e nós lhe demos ajuda, e ele foi para uma clínica, mas
não foi por vontade própria.
KING: Mas isso funciona? Quando é forçado?
EDEN: Qualquer coisa funciona. Sim. Forçado é bom. Eu diria para forçá-los.
Faça qualquer coisa. Leve-os para uma clínica. Leve-os até pessoas que possam
ter alguma influência. Mas é tudo muito melhor se você pode levá-los quando
eles tem 12, 13 anos, se você já souber.
KING: Ele era viciado em que, Barbara? Era alguma droga específica?
EDEN: Na verdade eu não sei. Ele morreu de heroína, mas eu não sei de
verdade. Eu acho que as pessoas que usam essas substâncias usam tudo.
KING: Porque elas experimentam?
EDEN: Sim. Bem, eles usam o que estiver à mão, e as pessoas dizem "Por
que?" - eu não sei porque. Eu acho que isso está além de nossa
capacidade de análise. Você não pode analisar isto. É uma coisa física. É
uma coisa física que deve ser cuidade física e mentalmente. Mas, primeiro de
tudo, fisicamente. Você não tem que perguntar porque. Você só tem que fazer
algo a respeito.
KING: É claro que você deve pensar ele tem uma ótima vida, pessoas de sucesso
à sua volta, uma boa criação. Por que?
EDEN: Ele era esperto. E simplesmente o mais maravilhoso e amável rapaz que
você poderia conhecer. E eu sei que sou a mãe dele, mas ele era. Ele era...
KING: Ele se casou?
EDEN: Ele se casou uma vez e se divorciou por causa das drogas. E ele ia se
casar, ele estava noivo de uma garota adorável, e ia se casar no ano que vem.
Eles estavam muito ansiosos. Por isso que foi um choque, apesar de que não
deveria ter sido porque, uma vez que uma pessoa tem esse problema, você sabe -
não é fácil de se livrar. Nós sabemos disso.
KING: Você ficou brava durante este período, com as drogas, com ele e com
tudo?
EDEN: Não. Porque eu sabia, neste ponto, que ele estava lutando. Ele estava
lutando para ficar sóbrio. Ele esteve sóbrio pelos últimos 10 anos. Ele
estava realmente lutando e vencendo. Então, não, eu não fiquei brava com ele.
Eu poderia arrancar as tripas deles, Larry, você sabe, das pessoas que vendem
essas coisas.
KING: Nós voltaremos em um minuto com Barbara Eden. Há muitas coisas para se
falar, e nós também vamos conversar sobre melhores aspectos de sua vida. Ela
está aqui para uma hora inteira. Não vá embora.
(INTERVALO COMERCIAL)
KING: Nós estamos conversando com Barbara Eden, que é um ícone cultural e uma
das maiores estrelas da televisão em toda a história deste meio de
comunicação. Mas a tristeza atinge a todos nós - é pior quando todos sabem a
respeito, quando você é uma pessoa famosa?
EDEN: Eu não acho que isso importa. Não importa se as pessoas sabem ou não.
É horrível.
KING: Ele não teve um filho no primeiro casamento?
EDEN: Não.
KING: Então você não é uma avó?
EDEN: Não.
KING: Você disse que ele estava lutando. Você acha que ele havia vencido?
EDEN: Não. Todos nós sabemos que é algo que você nunca vence. Você sempre
sabe que é um viciado, e é uma luta constante. Mas ele estava vencendo. Ele
estava vencendo, e ele gostava de estar sóbrio.Veja, este é o grande segredo.
Os mais jovens não gostam de estar sóbrios. Mas à medida que eles vão
envelhecendo, eles querem ficar sóbrios, só que aí já é muito tarde para a
maioria deles.
KING: Ele estava orgulhoso de estar indo tão bem?
EDEN: Sim, sim. Ele estava.
KING: Que tipo de trabalho ele fazia?
EDEN: Ele era um ator, e...
KING: Ele conseguiu papéis?
EDEN: Sim, conseguiu. Ele estava apenas começando e estava adorando. Ele
também era um bodybuilder.. Ele era muito preocupado com
a saúde, o que é uma ironia, não é?
KING: Isso é uma contradição.
EDEN: Sim.
KING: Então, em outras palavras, ele não fumava, não bebia?
EDEN: Não.
KING: Ele tomava cuidado com ele mesmo. Mas ele usou cocaína e heroína, e...
EDEN: Sim. É estranho.
KING: Como você soube da morte dele?
EDEN: Através de um telefonema no meio da noite.
KING: Quem ligou?
EDEN: Foi o primo dele do Norte da Califórnia. Eu acho que na carteira dele tinha o meu telefone, e devia estar escrito "Mãe", e o telefone deste primo, e a polícia não telefona para a mãe.
KING: Eles não telefonam para a mãe?
EDEN: Não, não. Eles telefonam para outra pessoa para essa pessoa telefonar
para a mãe. Eles não querem, eu acho, te chocar.
KING: Então o primo te telefonou.
EDEN: Ele me telefonou - era o marido da prima dele, Michelle, de São
Francisco, ele ligou, e meu marido atendeu o telefone, e eu pensei...
KING: Esse é o seu marido atual, o padrasto dele?
EDEN: Sim. E eu pensei que era a respeito dos pais do meu marido, porque eles
estão bem velhos, e eles são as únicas pessoas mais velhas que nós
conhecemos, e foi assim que nós descobrimos.
KING: E eles contaram ao seu marido?
EDEN: Eles contaram para ele, e ele me contou.
KING: Como você conta uma coisa dessas? O que você diz?
EDEN: Eu não sei. Eu espero que eu nunca tenha de contar uma coisa dessas. Eu
sinto muito ter tido que ouvir.
KING: Este é o maior medo de todos os pais.
EDEN: Sim.
KING: Então o que você fez? Você se recusou a acreditar?
EDEN: Claro. Imediatamente você diz "Não."
KING: Então o que? Você teve que ir ao necrotério?.
EDEN: Não, não. Não. Não, nós não fizemos nada disso. Para dizer a
verdade, eu não sei o que eu fiz, Larry.
KING: Houve um funeral?
EDEN: Oh, sim. Sim.
KING: Grande?
EDEN: Sim.
KING: No Cemitério Forest Lawn.
EDEN: Sim, e eu fiquei muito orgulhosa dele porque ele tinha muitos amigos, e
eles falaram coisas lindas a respeito dele.
KING: Você falou?
EDEN: Não. Meu Deus, não. Eu não poderia. Eu não poderia. Você tem muita
sorte de eu estar falando neste momento.
KING: O que você diz aos pais que tem que enfrentar isso? E nenhum pai é capaz
de imaginar como é? Drogas ou qualquer outra coisa. Você vai em frente. Você
está aqui.
EDEN: Bem, eu acho que você deve fazer isso. Não há outro jeito, há? Com
certeza você não pode voltar, e não há nada que você possa fazer há
respeito. Eu realmente não sei, Larry, e eu ainda estou enfrentando, então eu
não sei.
KING: Lutando contra o pensamento? Alguém que perdeu um filho me disse que não
importa o que aconteça no resto da sua vida, tem sempre um pedaço de você
faltando. Você pode rir, você pode ir a festas, você pode se divertir, você
pode experimentar coisas boas, mas algo sempre estará faltando.
EDEN: Ah, sim.
KING: Nós vamos fazer um intervalo, e logo estaremos de volta com Barbara Eden.
Há muitos outros assuntos além desse. Não vá embora.
(INTERVALO COMERCIAL)
KING: Nós estamos de volta com Barbara Eden, e nós realmente apreciamos ela
estar fazendo isso, e nós esperamos que ele ajude muitas pessoas, e mais do que
dar ênfase à morte dele, nós daremos ênfase ao que acontece depois. Seu
filho falava muito bem de você. Ele disse que você era uma espécie de rocha
na vida dele, que você era a pessoa forte, e que ele dependia bastante de
você. Eu acho que você o ouviu dizer isso.
EDEN: Bem, sim.
KING: Ele trabalhou com você também, certo?
EDEN: Sim, trabalhou. Na verdade, quando ele estava no colegial, ele trabalhou
em um episódio de Harper Valley PTA, e ele fez um papel em Mother
Wore Combat Boots, e ele foi ao Golfo Pérsico comigo e com Bob Hope. E,
claro, ele estava indo muito bem antes de falecer. Ele havia feito dois filmes e
alguns programas de TV.
KING: Como a noiva dele lidou com o que aconteceu?
EDEN: Bem, eu acho que ela tem muita coragem. Ela parece estar indo muito bem.
Isso não é algo com que você lida, Larry, é algo que você tem que
superar.
KING: Não há regras para isso.
EDEN: Não há regras para isso. Não há regras para as drogas. Não há regras
para a morte. Você simplesmente supera.
KING: Muitas pessoas neste país estão enfrentando perdas depois de 11 de
setembro.
EDEN: Sim.
KING: E eu conversei sobre isso com a primeira-dama na outra noite, e agora é a
época de Natal. Este deve ser o pior Natal de sua vida, certo? Seu marido deve
ser uma grande ajuda agora.
EDEN: Ele é uma grande ajuda. Ele é um homem maravilhoso, e eu tenho muita
sorte de estar com ele. Mas nós não vamos ficar em casa para o Natal.
KING: Isto está sendo exibido no dia de Ano Novo. Quais são os seus planos
para o fim de ano?- Nós gravamos isto um pouco antes do Natal - Quais são seus
planos para o fim de ano?
EDEN: Nós vamos viajar. Nós vamos para o Taiti. Eu nunca fui para lá. Então
nós vamos ver como é. Eu acho que é o último lugar para que alguém pense em
ir no Natal.
KING: É um bom lugar, porém, para provavelmente fugir do Natal.
EDEN: Sim, sim.
KING: Certo.
EDEN: Mas eu tive um Natal maravilhoso no ano passado porque Matthew estava lá
e eu sou grata por isso.
KING: Por que você acha que as clínicas não funcionaram?
EDEN: Oh, eu não tenho certeza de que elas não funcionaram. Ele queria estar
sóbrio. Ele estava lutando. Isso é uma batalha contínua, Larry. Vício. Não
é algo que você diz "Ah, eu faço um tratamento rápido". Você tem
isso para o resto da sua vida. Bem, qualquer um que fuma sabe disso. Eu
diria que mães e pais que realmente amam seus filhos devem conhecer o
comportamento de um viciado o melhor que puderem porque você não vai
reconhecer se não teve isso nunca na sua família. Você não vai reconhecer se
nunca esteve por perto de um viciado.
KING: Certo. Agora nos dê alguns sinais. O que você diria "Ah, se eu
soubesse".
EDEN: Eles ficam sonolentos. Muito sonolentos. Dormem tarde. Não levantam. Não
saem com as outras crianças. Uma vez eu estava em casa com um grande amigo que
era médico, e eu recebi uma ligação de um homem, e ele disse: "Seu filho
está aqui em Mulholland Drive, venha buscá-lo porque ele não pode
dirigir." Então nós pegamos o carro e fomos até lá, e o homem disse,
"Senhora", ele disse, "Cuide do seu filho. Ele não deveria
dirigir nessas condições". Mas ele não me disse que era por drogas, e eu
estava com um médico que deveria ter percebido isso. Mas ele não
percebeu.
KING: O que você pensou que fosse? Álcool ou...
EDEN: Álcool. Eu pensei, aqui está um garoto de 19 anos que bebeu demais. Ele
tinha saído com os amigos. Eu fiquei furiosa com ele.
KING: O que ele disse para você?
EDEN: Nada. "Me desculpe, mãe. Me desculpe. Me desculpe, mãe."
KING: E a mãe perdoou?
EDEN: Claro. Claro porque eu pensei que fosse acontecer só uma vez. Mas coisas
assim não acontecem só uma vez. E se elas acontecem só uma vez, você não
deve pensar, "Tudo bem.". Você tem que descobrir porque eles fizeram
isso.
KING: Então aquele incidente na escola foi a gota d'água, certo?
EDEN: Sim, sim.
KING: Você já estava desconfiada antes disso?
EDEN: Sim.
KING: Certo. Então nós devemos identificar as coisas. E quando você diz identificar, você diz que devemos intervir?
EDEN: Sim. Intervenha. Mas eu não acho que as pessoas iram identificar a
não ser que elas leiam alguns livros ou assistam a seminários e aprendam sobre
isso. É uma coisa traiçoeira, e muito furtiva. E nós também temos uma
tendência a dizer, "O meu filho não." Você sabe, "Ah, todos
agem assim. Todos ficam bravos quando são adolescentes." Bem, eles ficam,
mas há um jeito de ser bravo, e um jeito de ser sonolento. É uma coisa
furtiva, sorrateira.
KING: Você acha que este é um problema mais comum entre celebridades e filhos
de celebridades?
EDEN: Não, eu não acho. Pode acontecer com qualquer um.
KING: Certo. Então o que começa tudo? O vendedor? O grupo de amigos?
EDEN: Eu acho que o grupo de amigos, mas,. é claro, o vendedor torna a droga
disponível. Mas eu acho que é o grupo de amigos, e por tanto tempo, nossa
música e toda nossa cultura incentivaram isso. Era legal, moderno, usar
drogas.
KING: Outros pais que perderam os filhos por causa das drogas se tornaram ativistas. Você pretende fazer alguma campanha, alguma coisa assim?
EDEN: Certamente eu faria tudo o que pudesse para ajudar. Eu não sei o que eu posso fazer. Eu apenas posso falar subjetivamente e sobre a minha própria experiência. É importante que as crianças sejam educadas, que elas saibam como as drogas são más e traiçoeiras, mas a educação também é extremamente importante para os pais. Nós sabemos menos que as crianças.
KING: Sim, nosso conhecimento é limitado.
EDEN: Sim. Sobre isso particularmente. Você nunca espera que seu filho
seja um viciado. Nunca.
KING: Barbara Eden é nossa convidada. Ainda temos muito mais. Não vá embora.
(INTERVALO COMERCIAL)
KING: Nós estamos de volta com Barbara Eden. Depois de um ano como esse, qual
foi o efeito de 11 de setembro em você?
EDEN: Oh, foi tão ruim como foi para todo mundo. Eu não fiquei insensível de
maneira alguma. Foi horrível. Foi simplesmente horrível.
KING: E você pode se colocar no lugar daquelas pessoas que perderam seus entes
queridos - apesar de ter sido diferente...
EDEN: Ah, sim.
KING: Todos têm uma coisa em comum, perda.
EDEN: Sem dúvida. Eu assisti televisão para saber o que estava acontecendo,
mas depois eu desliguei. Eu não podia mais assistir. Eu não podia ver as
famílias. Eu simplesmente não podia.
KING: É difícil dar conselhos a respeito de perdas, mas você tem algum?
EDEN: Neste ponto da minha vida, não porque eu ainda não superei isso. Eu
posso te dizer daqui a um ano. Eu te direi se consegui ou não. Neste momento,
eu não sei.
KING: Você não perdeu seu senso de humor, perdeu?
EDEN: Eu espero que não.
KING: Isso quer dizer que você pode dar risada.
EDEN: Eu espero que sim.
KING: Você tem fé? Você é uma pessoa crente?
EDEN: Sim.
KING: E isso te ajudou?
EDEN: Sim.
KING: Você não culpou poderes superiores ou negou a sua fé?
EDEN: Oh, não. De maneira alguma. Isto foi feito pelos homens. Foi diferente do
que aconteceu em 11 de setembro. Eu teria ficado furiosa com isso. Eu acho que
eu teria gritado com Deus por isso.
KING: Se você tivesse perdido alguém?
EDEN: Sim, sim. Mas não, isso foi diferente. Era uma doença séria que já
estava lá há um tempo. O choque aconteceu porque nós achávamos que ele
estava vencendo. E ele não estava.
KING: Talvez você ache que algo aconteceu naquele dia?
EDEN: Quem sabe? Ninguém sabe. Dizem que quem é viciado tem uma
predisposição genética para isso. Pode ser. Mas muitas pessoas superam. E
normalmente depois dos 30, eles se livram. Mas eles sempre sabem que têm que
vigiar a si mesmos. É como ter algo, uma coisa feia, atrás de você
sempre.
KING: E a terapia do trabalho?
EDEN: Eu já pensei a respeito. Eu falei a respeito disso com o meu marido, que
eu não estou fugindo das coisas trabalhando demais, mas parece estar me
servindo bem.
KING: Então você tem feito o quê?
EDEN: Bem, eu estive em turnê com a versão feminina da peça The Odd Couple.
E estarei voltando no fim de janeiro. E eu apareci em dois episódios de Sabrina.
KING: Apareceu?
EDEN: Sim, sim. Oh, foi muito divertido. Muito divertido.
KING: E você também se apresentou em Las Vegas, certo? Uma coisa relacionada a
Jeannie É Um Gênio?
EDEN: Oh, eles têm caça-níqueis de Jeannie É Um Gênio. É verdade, eu
estive lá. As máquinas são decoradas com desenhos da série e minha voz sai
delas.
KING: Antes de Jeannie, o que você estava fazendo?
EDEN: Eu era contratada da Fox.
KING: Fez filmes?
EDEN: Sim. Bem, teve um período em que eu trabalhei na Columbia, na Universal e
na MGM.
KING: Você fez um filme com Elvis Presley, certo?
EDEN: Sim. Foi o único filme que ele fez em que ele recebeu boas críticas. Ele
não cantou, ele não conseguiu a garota e o filme não faturou nada. Foi um
filme maravilhoso. Estrela de Fogo. Ele fazia um mestiço de índios. E
ele morreu.
KING: Sério?
EDEN: Sim. E ele era bom ator. Era muito bom.
KING: Eu também ouvi dizer que ele era uma pessoa excelente.
EDEN: Sim, ele era.
KING: Você se deu bem com ele?
EDEN: Muito. Sim, muito.
KING: Como Jeannie apareceu?
EDEN: Bem, eu não estou certa. Nós teríamos que perguntar a Sidney Sheldon,
na verdade.
KING: Mas alguém te telefonou, certo?
EDEN: Ele me telefonou. Mas isso foi depois que eu havia lido na Variety
e The Reporter que eles estavam testando várias garotas para esse papel.
E todas eram do tipo físico de Israel e Síria. Todas eram morenas altas e
maravilhosas. Então eu nem pensei que seria considerada para esse papel. E
então me enviaram o script. Eu li, e telefonei para o meu agente; e eu disse,
"Você tem certeza de que eles me querem para isso?", ele disse
"Sim". Eu disse, "Que bom, é um papel maravilhoso." Ele
disse, "Bem, leia o script e você terá uma reunião." E então, dois
dias depois, Sidney Sheldon me telefonou em casa. E suas primeiras palavras
foram, "Eu fiquei sabendo que você é a minha Jeannie." Não é uma
graça? E eu fui tomar chá com ele no Hotel Beverlly Hills. E foi assim que eu
consegui o papel.
KING: E muito mais, daqui a pouco com Barbara Eden.
(INTERVALO COMERCIAL)
KING: Jeannie É Um Gênio esteve no ar por apenas cinco
anos?
EDEN: Sim.
KING: Para mim parece uma eternidade.
EDEN: A série nunca esteve fora do ar.
KING: Você e Larry Hagman se deram bem logo de imediato?
EDEN: Oh, sim. Eu nunca trabalhei com alguém com quem eu tivesse tanta --
como eu posso dizer? A gente se entrosava. Nosso timing era o mesmo. Era
uma alegria trabalhar com Larry.
KING: Por que a série funcionou?
EDEN: Eu acho que foi -- bem, Sidney Sheldon, claro, e a imaginação dele.
E ele também tinha um elenco maravilhoso, que ele escolheu. E todos nós
trabalhávamos bem juntos. Eu acho que é por isso. E eu acho que a série
permanece porque é um tema que transcende o tempo. Nós raramente usávamos
roupas comuns, então ela não ficou velha como a maioria das séries. Eu acho
que é por isso que ela durou até hoje.
KING: E foi intencional fazê-lo um oficial da Força Aérea, certo? Para
que pudesse viver situações militares.
EDEN: Sim, sim. E nós tivemos muita cooperação da NASA e do programa
espacial.
KING: E como era a parte técnica da produção de Jeannie?
EDEN: Nós gravávamos três dias por semana. Uma série de uma câmera. E
então eu passava algumas semanas -- e Larry também, fazendo os efeitos
especiais, você sabe, com uma tela azul.
KING: Foi um sucesso imediatamente?
EDEN: Eu acho que sim. Eu preciso me lembrar. Eu acho que sim.
KING: Você ainda recebe alguma coisa?
EDEN: Não, Larry, não, não. Acabou. Faz tempo.
KING: Como você reagiu ao estrelato? Você já ficou bem famosa no primeiro
ano.
EDEN: Eu não percebi. Na verdade, eu acho que eu não percebi até uns
cinco anos atrás. Eu não tinha idéia que a série tinha aquele impacto nas
pessoas. Também, Larry, meu filho era pequeno. E minha vida era em casa. Eu
fazia o meu trabalho e fazia a publicidade, mas aí eu ia para casa. Eu não
saía muito.
KING: Se você estivesse fazendo esse show hoje, haveriam implicações
sexuais em Jeannie e...
EDEN: Eu não acho. Porque a parte engraçada da série era o fato de que
ela pensava que era humana e não era. E ela queria casar com ele. E ele sabia
que ela não era humana. Então aí está a comédia. Ela é um peixe fora
d'água. Nada pode acontecer realmente entre os dois, porque ela é fumaça.
KING: E a idéia de trazer a mãe dela...
EDEN: Sim, eu fiz o papel. Eu amei.
KING: Você ficou magoada, de alguma maneira, pelo fato de quando você se
estabelece em um papel e a série acaba, não aparecem outros papéis?
EDEN: Eu não acho que me machucou, mas eu não sei, Larry.
KING: Porque você era classificada como "aquela é a Jeannie".
EDEN: Eu não tenho certeza.
KING: Mas você nunca saberia se outros papéis não fossem oferecidos a
você.
EDEN: Não, não saberia. E então eu comecei a produzir meus próprios
telefilmes. E nenhum daqueles papéis eram Jeannie. E então eu fiz outra
série, Harper Valley PTA. E certamente, ela não era Jeannie. Então é
difícil para mim saber. Teria eu sido uma grande estrela do cinema? Eu não
sei.
KING: Você mencionou que seu filho esteve em Harper Valley PTA. Ele era um
dos atores regulares?
EDEN: Não, não. Foi só uma participação especial. Ele tinha 16
anos.
KING: O que foi o problema do umbigo?
EDEN: Oh, bem, George Slaughter queria exibir meu umbigo pela primeira vez
no Laugh-In. E eu acho que a NBC nem sabia que eu tinha um umbigo até
George chamar a atenção deles para isso. Ele me disse que nunca tinha visto
tantos homens de terno e gravata sentados ao redor de uma grande mesa de
reuniões para discutir o umbigo de alguém. Ele disse, "É sério." E
eles negaram o pedido dele. E foi aí que começou.
KING: Foi aí que a história foi para a imprensa?
EDEN: Oh, sim. Bem, a imprensa já tinha falado disso antes, porque as
pessoas vinham até o set e diziam, "Eu não acredito que você tem um
umbigo." E eu também me divertia, escondia meu umbigo e tudo mais. Por
exemplo, nós fizemos três episódios no Havaí. Todas as garotas naquela praia
estavam usando um biquíni, menos eu. Eu usei um maiô. E eu só dei risada. Era
tão engraçado, todas estavam usando biquínis.
KING: Por que a série acabou?
EDEN: Eu não sei realmente. Eu não sei. São negócios, e dinheiro, e é
sempre dinheiro, não é? Eu acho que eles podem vender a série depois de cinco
anos.
KING: Sim, eles podem vender para reprises. Você ficou muito triste quando
a série foi cancelada?
EDEN: Sim, sim. Foi muito deprimente. Porque aquilo é como a sua família.
KING: Você tem se assistido durante esses anos?
EDEN: Agora eu assisto. Naquela época não. Agora eu consigo assistir e me divertir.
KING: Barbara Eden é nossa convidada especial para começar o Ano Novo. Não vá embora.
(INTERVALO COMERCIAL)
KING: Você teve uma infância dificil, certo?
EDEN: Eu não sei se eu tive uma infância difícil. Meus pais eram filhos da Depressão. Eu tive uma infância pobre. Nós não tínhamos muito dinheiro. Mas eu tive uma infância maravilhosa. Eu tinha uma família muito amorosa.
KING: Você era bonita quando era criança? Seja honesta.
EDEN: Eu não achava que era, nem um pouco. Na verdade, eu não acho que era. Eu usava óculos. Ainda uso. Mas eu tive que usá-los quando eu era muito pequena, com apenas quatro anos. Eu também tinha uma venda em um dos olhos. E então minha mãe e minha tia, que me amavam muito, achavam que era uma gracinha prender meu cabelo em rabinhos todos enrolados, e que eram muito apertados. Então eu tinha aqueles rabinhos, e óculos com a venda. Era horrível. E eu nunca ganhava peso. Meu Deus, eu gostaria que isso acontecesse agora.
KING: Você sempre foi esbelta?
EDEN: Não. Eu era naquela época.
KING: Você ainda é esbelta. Você nunca esteve acima do peso.
EDEN: Bem, depois que eu tive o Matthew, eu fiquei bem gorda.
KING: Você estava grávida quando Jeannie É Um Gênio começou. Como eles lidaram com isso?
EDEN: Eles disseram que esconderam, mas eu vi quando assisti aos episódios.
KING: Você sabia?
EDEN: Oh, claro. Eu não me preocupei com isso. Eu estava tão feliz.
KING: Quando Jeannie acabou, você fez telefilmes de sucesso. Você fez
Harper Valley PTA. Você fez show em Las Vegas.
EDEN: Bem, eu fiz shows em Las Vegas enquanto eu fazia Jeannie também. Eu
fazia os shows entre as temporadas da série.
KING: No nosso próximo bloco, nós voltaremos a falar de Matthew e de seu
legado. Mas o que você vai fazer agora? Você vai para o Tahiti. Quais são
seus planos para 2002?
EDEN: Bem, até maio eu estarei em turnê com The Odd Couple. E depois eu não sei. Eu não sei o que nós vamos fazer. Nós estamos pensando em fazer outra viagem, em ir a algum lugar.
KING: Nós falamos de atuar como um remédio para você. Você se sente bem quando está trabalhando?
EDEN: Oh, claro, porque você não pensa em outra além do que você está fazendo. Aquele é o seu mundo. É o depois que é ruim.
KING: É difícil ver mães e filhos?
EDEN: Sim.
KING: Essa deve ser a parte mais difícil. Então quando você está trabalhando, você consegue superar isso?
EDEN: Sim.
KING: Por que no palco você não pensa nisso?
EDEN: Não.
KING: Você não se deixa pensar nisso.
EDEN: Você não pode fazer seu trabalho se pensar nisso.
KING: Então você é disciplinada.
EDEN: Sim.
KING: Você quer estar mais no palco?
EDEN: Sim.
KING: Você faria televisão novamente?
EDEN: Oh, sim.
KING: Regularmente?
EDEN: Sim. Eu gosto da TV. Eu gosto de trabalhar. Eu tive uma ótima experiência com as duas séries que fiz. E eu gosto daquele sentimento de família e de trabalhar em unidade, onde todos sabem o que eles estão fazendo e porque estão fazendo. E seu personagem é bem trabalhado. Eu gosto disso.
KING: Então você gostou de ser a mesma pessoa por cinco anos, de ser Jeannie?
EDEN: Oh, mas ela não era sempre a mesma. Jeannie era
muitas coisas diferentes. Aquilo era divertido.
KING: Como era Hayden Rorke?
EDEN: Oh, sim, o psiquiatra. Maravilhoso. Ele era maravilhoso.
KING: E uma escolha perfeita para o papel também. Você alguma vez recusou
algo e depois se arrependeu?
EDEN: Não, eu acho que não. Talvez eu nunca estive na posição de recusar
algo de que eu pudesse me arrepender. Mas, não, eu acho que não.
KING: Nenhuma série de TV que lhe foi oferecida que você não fez e depois
outra pessoa fez e você se arrependeu, ou um filme?
EDEN: Bem, as pessoas já me testaram para várias coisas que não foram
possíveis. Eu já fiquei muito desapontada por não poder fazer. Mas nada que
eu tenha recusado.
KING: Algo que você teria gostado de fazer.
EDEN: Sim, eu não digo "não" com freqüência. Eu gosto de
trabalhar.
KING: Nós estaremos de volta com nossos últimos momentos com Barbara Eden
em seguida..
(INTERVALO COMERCIAL)
KING: Você uma vez disse que se os homens preferem as loiras, você
é uma loira que prefere os homens. Não é uma má frase. Você também falou,
"Eu não sei o que vou fazer no momento seguinte? Eu gosto de não saber
porque é sempre uma surpresa, como abrir um presente." Você é assim
mesmo, despreocupada?
EDEN: Não, eu acho que isso foi tirado de um contexto. Alguém me
perguntou se eu gostava de ser atriz por causa da insegurança e por não saber
de onde viria o próximo trabalho. Mas eu realmente não me incomodo com isso.
Eu gosto de saber que lá na frente vai ter algo melhor. E geralmente tem.
KING: Legado é uma palavra com a qual nós não sabemos lidar porque às
vezes nós não sabemos o que quer dizer. Qual você acha que é o legado de
Matthew?
EDEN: Eu não sei.
KING: O que os amigos dele falaram no funeral?
EDEN: Eu acho que ele tocou a vida de muitas pessoas de uma maneira
positiva. Ele ajudou muitas pessoas nas clínicas.
KING: Pessoas que eram viciadas?
EDEN: Sim. Eles fazem isso. Eles ajudam uns aos outros - aqueles que
estão tentando se livrar do vício. Eu acho que todas as pessoas que tiveram
sua vida tocada pelo Matthew foram realmente enriquecidas por isso porque ele
era um cara maravilhoso. Alguns dos seus amigos o chamavam de 'o gigante
bondoso.' Ele tinha 2 metros de altura. E ele era doce e engraçado. Ele podia
fazer comédia e era excelente. Ele era muito bom com as outras pessoas. Uma
vez, ele estava trabalhando e dirigindo um caminhão. E ele viu uma mulher, uma
mulher idosa, uma avó, sentada no meio-fio com uma criança, que corria de um
lado para outro, chorando, tentando levantar a avó. E ele parou o caminhão, e
ele não estava em uma parte muito boa da cidade, e saiu para ajudar aquela
avó. Ela tinha tido algum tipo de ataque. Ela estava cuidando da criança
porque os pais dela estavam trabalhando. E ele a levou ao hospital. Eu não
conheço muitas pessoas que fariam isso.
KING: Então os amigos dele sentem muito a falta dele?
EDEN: Sim, eles sentem.
KING: Você os amigos dele?
EDEN: Não, não vejo.
KING: E o pai dele? Como ele está lidando com isso?
EDEN: Eu só posso imaginar. Eu não vi o Michael. Mas...
KING: Ele estava no funeral, certo?
EDEN: Oh, claro. Ele estava lá.
KING: Ele eram próximos?
EDEN: Sim, eram. Matthew era bem unido a nós dois. Ele amava a família
dele. Eu não acho que o Mike esteja lidando bem com isso, se eu o conheço bem.
Eu acho que ele está arrasado.
KING: Então apesar de Matthew ser um produto de divórcio, ele se dava
bem com os dois?
EDEN: Sim.
KING: Mas isso não teve um efeito ruim sobre ele?
EDEN: Oh, tinha que ter. Deve tê-lo machucado. Não há maneira de um
divórcio não machucar uma criança. Tudo o que eu posso dizer é que ele era
uma criança muito carinhosa. Ele amava a nós dois. E nós o amávamos. E ele
sabia que nós o amávamos, sempre soube. Mas amor não é suficiente quando se
fala em drogas. Você deve ter conhecimento, deve saber sobre as drogas. Amor é
importante, mas você tem que saber o que está acontecendo.
KING: Obrigada por fazer isto.
EDEN: Oh, obrigada por me receber. Eu espero ter sido de alguma ajuda.
KING: Obrigado, Barbara. Barbara Eden, Jeannie é Um Gênio. Nós só podemos desejar coisas melhores a ela. Obrigado por estar conosco. Eu sou Larry King, para todos um feliz ano novo e boa noite.
***
Nota: Algumas perguntas e respostas foram transformadas em uma só para tornar e leitura menos cansativa e demorada, visto o tamanho do texto. Algumas poucas perguntas e comentários do apresentador foram eliminadas. Porém, de maneira alguma as idéias originais contidas nas perguntas e respostas foram alteradas. Para ler a transcrição na íntegra, em inglês, clique aqui.